Roda mundos

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Hoje é dia de entrevista!

Vamos lá?

(formato entrevista, ativar!
… download completo!)

HElO

Heloisa Righetto contou pro studiob’ todas as suas aventuras já vividas como designer, blogger, escritora e muito mais! Tudo isso, direto de Londres, país que ela escolheu para viver.

POR LIGIA DUMIT

Helo mora em Londres então resolvemos fazer a entrevista por Skype. Perguntei a ela se ligaríamos a câmera e ela não hesitou: “sim!”. Assim, a coisa toda ficou muito mais pessoal. Eu via no fundinho da câmera a casa da Helo, que estou tão acostumada a ver em seus snapchats! Me senti um pouco lá e um pouco aqui.

Roda mundo, roda gigante

Formada em desenho industrial, Heloisa deu algumas voltas antes completar essa graduação. Isso porque, apenas com 17 anos não conseguia ter certeza sobre a grande decisão de que faculdade fazer. Prestou vestibular para desenho industrial no Belas Artes e também artes plásticas na USP. Passou e ingressou no Belas Artes.

“E ai no primeiro ano de desenho industrial no Belas Artes eu não entendia o que era desenho industrial, ninguém me explicava! Eu tava perdida! Tinha aquelas aulas básicas de desenho geométrico, pintura de aquarela. Eu resolvi sair e fui estudar decoração na Panamericana. Também não era o que eu queria, mas eu não me arrependo porque foi o que depois me levou de volta ao desenho industrial.”

Aos 22 anos, ela volta ao desenho industrial, dessa vez no Mackenzie SP, onde se formou com especialização em projeto de produto.

“Tive que começar do zero porque as matérias que eu tinha feito no Belas Artes já não valiam, pois passaram mais de três anos, mas foi ótimo! Eu não sabia exatamente o que eu queria fazer depois da faculdade, mas durante o curso eu fui me identificando mais com mobiliário, acessórios, coisas de decoração e fui me especializando nisso.”

Antes mesmo de entrar na Tok & Stok como designer, Heloisa teve vários outros trabalhos. O primeiro deles, aos 18 anos, foi como atendente – fazendo Check in – da antiga TAM no aeroporto de Congonhas. Depois, ainda trabalhou em duas fábricas de móveis: uma delas na área comercial e em outra como desenhista projetista. Esse último, fundamental, pois nessa época era ela quem bancava seus estudos!

“O que eu ouvi de insulto, gente mal educada nesse emprego do aeroporto… foi o pior que eu tive até hoje, mas ao mesmo tempo foi tão bom que esse foi o primeiro porque eu sei que não fica pior do que aquilo! Além do que você passa a ser mais gentil com quem esta lá na linha de frente de uma empresa, né.”

E assim foi apenas o comecinho dessa trajetória. Hoje, Helo está a frente do Aprendiz de Viajante – seu blog de viagem – e mais vários outros projetos. Na entrevista a seguir ela nos contou muito mais. Vem ver!

NA RODA DO DESIGN

Helo, eu considero o Design uma profissão e uma formação super versátil. O designer consegue se encaixar em vários segmentos. Você concorda? Eu concordo com você porque realmente é bem abrangente. Muito mais do que eu imaginava! Mas, é uma coisa que eu acabei enxergando mais agora, porque na faculdade não ensinou, mas que não é só criar e desenhar. Você pode fazer tantas coisas com um background de desenho industrial que nem devia chamar assim né?

Você entrou na Tok & Stok e ainda faltavam uns meses pra se formar na faculdade, né? Faltavam uns três ou quatro meses pra eu me formar. Eu já tinha feito entrevista pra ser estagiária lá e fui chamada, só que eu tive que recusar porque eu trabalhava na época em uma fábrica de móveis de escritório e ganhava mais. Foi horrível! Mas, depois no fim o Ademir, da Tok & Stok me ligou perguntando se eu queria ser entrevistada de novo pra uma vaga como designer mesmo e ai eu fiz a entrevista e fui contratada.

E lá você desenhava produtos pra qual áreas? Quando eu entrei e era uma novata me deram o que ninguém queria que eram os acessórios de escritório, brinquedos e papelaria. Dai eu fiquei um tempo com isso. Foi bom até eu aprender todos os procedimentos da empresa e no que consiste realmente desenhar com uma exigência! Logo eu acabei entrando pra outras coisas mais importantes, mas o meu objetivo era pela área de luminárias. E ai um dia rolou e eu peguei esse segmento das luminárias que digamos assim, era uma parte um pouco problemática em questão de fornecedor e de vendas e nenhum dos designers queria porque eles sabiam que era assim, mas eu gostava muito então fui de qualquer forma.

Na Tok & Stok eu fiquei dois anos e meio, mas me parece que eu fiquei muito mais! Lá foi muito importante pra mim. Não só a empresa, mas a gente tinha uma coisa ali. Deu muito certo a equipe que trabalhava ali ao mesmo tempo! Quando eu falo de trabalho, de atmosfera de trabalho é de lá que eu lembro! Claro que trabalhar pra uma empresa grande nem tudo são flores, mas com o passar dos anos você acaba esquecendo as chatices e ai isso prova o quanto foi bom.

A Helo e o Edu, trabalharam juntos na Tok & Stok! Olha a turma toda ai embaixo.

(nostalgia: a turminha da Tok & Stok)
(nostalgia: a turminha da Tok & Stok)

E ainda tem algum produto seu na Tok & Stok? Não tem! Os produtos que eu desenhava não vendiam! Eu não era uma best-seller e hoje em dia eu vejo o porque. Apesar de eu não me arrepender de fazer a faculdade de design porque eu acho que foi ótimo pra mim eu não fiz a faculdade de design pra ser designer. Eu acho que ela me desenvolveu como uma pessoa criativa no geral. Me abriu as portas pra outras coisas. Eu prefiro estar envolvida no design de outra forma. Como comunicadora do que como fazedora! É engraçado porque você não consegue se imaginar fazendo outra coisa senão desenhando quando sai da faculdade. Eu entendo que tem gente muito melhor e que tem muito mais talento pra isso, as pessoas certas pra fazer isso e eu ocupo um outro espaço na esfera do design e eu acho ótimo.

Você ainda cria produto? Tem vontade? Não crio produto at all. As vezes quando eu to atrás de alguma coisa pra minha casa e eu não acho eu fico pensando “ah, queria poder desenhar e alguém fazer pra mim, sabe?” porque isso talvez seja uma coisa de quem já trabalhou como designer você coloca uma coisa na sua cabeça e se você não acha aquilo vem uma frustração. Então eu fico, nossa queria fazer um negócio exatamente assim, mas nada grave!

Fala-se muito aqui no Brasil que o design brasileiro está em alta no mundo. Você que está vendo de fora, conta pra gente a real: como os europeus enxergam o design brasileiro? E quais as expectativas eles tem quando se fala em design brasileiro? Buscam por produtos mais estereotipados ou não? Aqui ainda a referência quando se fala em design brasileiro eles pensam nos Campana. É a impressão que eu tenho. É assim, se sabe mais e conhecem alguns outros nomes já, mas tudo é aquela coisa com uma cara que não é compreensível pra qualquer um. Por exemplo os Irmãos Campana por mais que eles tenham um conceito maravilhoso acaba sendo elitista porque é quase escultural. Funciona você ter na sua casa, normal. Você tem ali o sofá, senta no sofá, mas não é todo mundo que vai ter na sua casa um sofá Boa porque é difícil você fazer o styling dessas peças. Então ainda os que acabam tendo espaço aqui são esses que esbarram na arte só que na vida real é muito caro, não cabe.

Então eu acho que o design brasileiro acaba sendo ainda uma coisa luxuosa, tipo você comprar a peça 1/100 do tal designer, sabe? Eles amam IKEA aqui, mas eles não conhecem Tok & Stok; não sabem que tem designers dedicados a esse tipo de mercado. A Europa como um todo é muito aberta pra qualquer tipo de design e eles estão um pouco de saco cheio das coisas deles porque está tudo muito com a mesma cara, né.

Eu tenho a impressão que todas as mídias acabam falando dos mesmos designers ao mesmo tempo. Enfim, é um trabalho ótimo, mas eu sinto que eles esquecem que existe a classe média que consome design também. Então essa referência deles acaba ficando muito pequena. Tem tanto mais coisa no brasil só que acaba não chegando aqui e eu não consigo entender o por quê!

Será que a gente perdeu esse bonde? Eu acho que ainda tem esperança sim. Porque por exemplo quando você mostra estampas e mistura de cores com uma cara mais brasileira é muito bem vindo por aqui. Eles só não sabem onde buscar porque aqui tem a Habitat, tem IKEA, um monte de loja nesse setor e eu acho que eles estão confortáveis sabendo que ali eles vão encontrar alguma coisa. O mercado do design aqui é mais avançado no sentido de ser mais antigo então os consumidores de classe média e até os consumidores classe média baixa também tem acesso a essas lojas. Então ninguém pensa em procurar fora desse circuito porque já tá tudo muito pronto pra eles. Agora eu não sei porque as empresas não contatam os designers de fora; imagino que talvez seja porque o negócio do local está muito forte. Todo mundo querendo produção local… isso está muito em alta aqui.

Agora eu não acho que poderia se dizer que perdeu o bonde. O mercado vai e volta então eu acredito que uma hora aparece de novo uma brecha e as pessoas entendam que “ok, é legal prestigiar o artesão do seu bairro, mas também é legal trazer uma referência de outra cultura pra dentro da sua casa”.

Quando entrevistamos o Edson Coutinho perguntamos se ele acha que o Brasil deixou passar a vez de virar tendência. Ele disse que acha que o país tropeçou e muito disso tem a ver com a imagem que estamos passando pro resto do mundo – devido ao atual cenário econômico e político aqui no Brasil. Pois é. Mas eu acho mesmo que ainda tem muito espaço porque eu cobri muitas feiras e teve uma hora que eu comecei a achar tudo igual. Essa foi uma das razões que eu sai da WGSN. Eu ia nas mesmas feiras todo ano e fica cada vez mais difícil alguma coisa te chamar atenção! Eu ia nessas feiras sempre e as vezes eu tinha que fazer um top 10; poxa, quantos produtos se vê numa feira? Mais de mil! E as vezes eu tinha dificuldade de achar dez coisas! Então realmente falta! Tudo tem aquela cara da Moroso, da Kartell e eu acho que vai tudo pra mercados de luxo.

Por exemplo você não vê o sofá da Patrícia Urquiola na casa de ninguém! E eu me pergunto, se todo ano eles lançam, onde estão essas coisas? Então pra mim ainda falta. Tem essas coisas maravilhosas do design, são soluções lindas, mas falta pra vida real.. pra gente aqui!

Eu ia todo ano em uma feira específica pra banheiros e sempre tinham soluções super tech dai a primeira vez que eu fui eu pensei “nossa isso é tendência! E ai escrevi: ano que vem todo mundo vai ter isso em casa!” Não, ninguém tem isso em casa! Todo mundo continua tendo o mesmo chuveiro, a mesma pia… então calma, onde estão essas coisas? Em algum lugar tem que estar porque todo ano eles continuam investindo nessas soluções lindas e tecnológicas, mas o meu chuveiro continua sendo o mesmo dos anos 90! Então sabe de repente é isso que está faltando. As vezes é esse o bonde que o mercado brasileiro e latino americano pode entrar: uma criatividade que não seja pra poucos; que seja pra todo mundo!

VOZ ATIVA

O seu blog pessoal já existe desde 2004 né? Da onde surgiu essa sua ideia de ter um blog antes dos blogs terem a visibilidade que tem hoje? Sim, vergonha alheia total. Alheia não, própria né. Quando eu escrevi esse blog era só uma bobagem. Tudo começou porque uns amigos do Martin – namorado e hoje marido – tinham e eu achava legal ler da vida deles. Eles escreviam umas bobagens e ai eu pensei ah, vamos fazer também? E era só entre a gente ali… um lia o do outro. E ai foi ficando e eu continuei escrevendo. O Martin também postava lá! Eu não apago nada porque é engraçado voltar lá e ver como você pensava, como era sua vida. As vezes tem coisa que eu não lembro que aconteceu!

Dá pra ver que tem muito de você ali no blog e é muito legal ler quando você se identifica com as ideias da pessoa que está escrevendo. Por exemplo você escreveu um artigo sobre o Brexit e eu achei sensacional, pois bateu muito com o que eu penso. E essa é uma forma de se encontrar com pessoas on-line. Era tipo um diário, bem assim: “hoje eu e o Martin fomos no cinema”. Ainda é, mas a gente amadurece, muda o estilo de escrever, as coisas que vai contar. Até porque eu não achava que tinha um alcance grande, mas hoje em dia eu já sei que vai todo mundo ler. Sobre os encontros, isso tem mesmo. Olha, eu não me lembro de coisa ruim que o blog me trouxe! Foi por causa do blog que eu as encontrei as minhas melhores amigas daqui de Londres. Isso já vale tudo.

(nostalgia: Helo e Martin em seus primeiros dias londrinos)
(nostalgia: Helo e Martin em seus primeiros dias londrinos)

Eu assisti o vídeo que você conta como aconteceu a mudança pra Londres. Como foi pra você sair de um trabalho mais técnico (claro que tem a parte criativa também) como designer de mobiliário na Tok & Stok e entrar no mundo da escrita profissional? Eu jamais imaginava! Não foi nada assim “eu vou escrever”. Eu tava aqui procurando e não aparecia nada e eu fiquei bem down e tinha tanta coisa rolando aqui e eu tinha o blog… dai uma amiga me falou “escreve, manda!” e eu escrevia até com uma certa facilidade. Quando começou a engrenar pra mim foi meio fácil porque eu sei que eu não tenho nenhuma formação técnica de jornalismo, mas eu tenho o gosto de escrever de uma coisa que eu sei! E eu não tenho nenhuma ambição de me tornar alguma coisa eu só quero escrever sobre o que eu sei.

Eu tenho um jeito de escrever mais coloquial e eu comecei a perceber onde cabia o meu tipo de escrita, o meu estilo. Quando começou a engrenar e eu ganhei um dinheiro eu comecei a atirar pra todos os lados! Mandava e-mail pras editoras de revista no Brasil porque eu precisava trabalhar e o que eles me passavam eu fazia. E ai também eu comecei a ver que não era bem assim eu precisava alinhar mais o que eu queria fazer e eu vi que eu combinava mais com on-line porque tinha esse estilo informal.

Eu aprendi pra caramba a conhecer o meu estilo, me adaptei com o estilo de voz de algumas publicações que eu escrevia com mais frequência e foi indo assim. Eu comprei uns livros pra estudar, fiz um curso de introdução ao jornalismo. Enfim, fui atrás pra ter um mínimo de base!

Helo, foi difícil pensar em perguntas pra você e eu acho que muito disso se deve a você ser uma profissional multi-tarefas e executar essas tarefas com êxito. Seu blog de viagem e o guia são um sucesso, você tem uma formação super versátil, você já passou por duas grandes empresas de design, teve uma mudança bem sucedida de país, enfim, não dá pra listar tudo! Mas, por favor, me fala, qual foi a sua fórmula do sucesso? A verdade é que eu me canso rápido das coisas e ai eu preciso ir achando coisas novas! Mas assim eu tenho uma ideia eu vou desenvolvo e ai no fim dela, mas antes de executar eu já estou tão cansada dela que eu preciso de outra coisa e ai nesse ritmo estou com dez projetos diferentes. O bom disso é que eu não preciso dedicar o meu tempo inteiro pra eles então eles já não me cansam tanto! Sabe, cada coisa abre cinco coisas e assim vai indo. Então o meu dia agora não é mais dedicado a uma coisa só; eu faço um pouquinho de um monte.

Quando eu tava na WGSN eu ficava o dia inteiro lá e durante um tempo até eu aprender os tramites da empresa tudo ainda era novidade, eu viajava muito, e a empresa também mudou muito enquanto eu estava lá então demorou pra eu começar a sentir que eu precisava de outra coisa. Eu tinha também o blog e o guia pra me distrair. Mas, chegou um momento que não dava mais pra ficar na WGSN porque estava lá há seis anos e precisava sair. Ai agora eu tenho o blog – aprendiz de viajante – como full-time, mas eu não quero me cansar dele então eu fui achando outros projetos. Enfim, no on-line tem que inovar sempre então tem que ter canal no YouTube, transmissão ao vivo no Facebook. A todo momento tem que ficar pensando em maneiras criativas.

Estar no mundo digital é uma coisa perfeita pra mim e eu acho interessante tudo isso porque eu acho que isso era o que eu não conseguia entender do que eu queria fazer quando eu tinha 17 anos porque nada disso existia. E agora o mundo on-line tem tantas novidades que eu acabo me envolvendo. E eu passei também a transformar causas que eu amo em parte da minha vida porque antes eu deixava de lado. Eu acho que o fato de eu querer mudar, pensar em coisas diferentes no dia inteiro vão me mantendo.

(empolgação: uma amiga encontrou o guia pra vender no RJ)
(empolgação: uma amiga encontrou o guia pra vender no RJ)

Uma dessas causas que você ama e luta é o feminismo, né. Vi que você e a Renata, sua amiga criaram um canal no YouTube, o conexão feminista. Conta um pouco como está sendo essa experiência? E como vocês pretendem ajudar as mulheres? Tá sendo ótimo, muito muito bom! A gente começou porque já trocávamos muita ideia sobre o assunto e pensamos: vamos bater papo e colocar para as pessoas assistirem depois. Durante conversas com as minhas amigas elas iam se surpreendendo conforme eu ia falando sobre feminismo e ai eu entendi que se com as minhas próprias amigas eu já conseguia passar uma mensagem e tirar esse véu machista que a gente cresce com imagina por on-line e qualquer pessoa ver!

Toda vez que eu falo sobre feminismo no Snapchat eu recebo mensagem de gente desabafando ou querendo participar. Dai uma pessoa marca a outra, enfim, ao invés de eu ficar só pensando “Ok, eu sou feminista, eu acredito, mas uma vez que eu consigo ampliar essa voz… isso é animal!”

A próxima vez que eu for pro Brasil e encontrar a Renata a gente quer fazer um encontro, alguma coisa presencial. E ai também por causa do Conexão Feminista me apareceu a oportunidade de escrever a coluna num jornal brasileiro daqui de Londres o Brasil Observer e ai é mais gente que vai me ler. E com tudo isso eu vou aprendendo também né? Porque eu não sou uma expert em feminismo, em gêneros, nada disso. Eu quero só falar uma coisa que me incomodava. Mas, ai também as pessoas começam a te ver como uma referência e ai eu comecei a estudar, ler mais, assistir vídeos e conhecer as causas de outras mulheres.

Quantas vezes a gente não fala mesmo uma amiga pra outra: seja macho, vai lá! E ai quando você começa a falar muito de feminismo você pensa “nossa não acredito que eu falei isso!” Sabe? É um trabalho muito de formiguinha, mas, vamos indo.

TEM MAIS

Acompanhamos um pouco pelo seu Snap – que a gente adora – as expectativas e os resultados do Brexit e também os seus desabafos. A gente quer saber o que efetivamente mudou na sua vida nesse momento? Consegue nos dar uma previsão pessoal para os próximos anos? Só o que mudou na minha vida nesse momento assim, muito pessoal, foi que me deu um bode imenso de Londres que nunca tinha me dado. Nunca na vida eu achei que ia acontecer. Eu fico pensando: “acho que está na hora da gente ir embora”. Eu me sentia super que eu era daqui e agora não mais.

Até em Londres que o remain venceu eu achei que venceu por uma margem muito menor do que eu esperava. Achava que tinha que ser pra mais de 80%. No meu bairro, foi tipo 56% remain. E ai eu pensei: “gente, eu falo tão bem do meu bairro, eu vendo meu bairro em todas as redes sociais, eu compro nas lojinhas do pessoal do bairro, vou no açougue, no italiano. Eu faço parte da comunidade!” Mas, agora eu me acho uma estrangeira.

Todos os políticos que fizeram campanha pro leave saíram fora! Eles tiraram o cavalinho da chuva. Então ninguém sabe o que vai acontecer, mas o que eu acho é que a união europeia quer retaliar o reino unido porque não quer que nenhum outro país faça igual. Mas, o que a Grã-Bretanha quer? Quer sair da união europeia, mas continuar com o comércio livre! Eu acho assim nenhum imigrante vai ser expulso nem nada disso, mas o que eu acho é que vão ter empresas que não vão querer mais investir aqui porque eu acho que talvez vá ter algum tipo de imposto ou taxa que antes não tinha, pois eram protegidos pela UE e não vai ter desenvolvimento de infraestrutura porque a União Europeia investe muito nisso. Por exemplo, no condado de Cornwall que é super pobre eles recebem uma grande quantia de dinheiro por ano pra infraestrutura e eles não vão mais ter esse dinheiro! Então eu acho que vai ter uma crise generalizada ai, mas a gente não sabe quando.

Quem tá sozinho nunca dá certo. Se isolar nunca dá certo. Então é muito triste! É um regresso total e deu munição pra muita gente expressar racismo, ódio. Porque por mais que essas pessoas sempre fossem racistas pelo menos elas ficavam quietas! Ninguém falava: “sai daqui!” na rua pra outras pessoas e agora elas falam: vão embora! Então isso é muito perigoso!

Juntando tudo o que você faz: a gente quer saber qual é uma boa viagem pra encontrar bom design, boa comida e bons passeios? Eu gosto muito de artesanato então eu vou falar Itália. Eu acho que a Itália é bom pra qualquer coisa. Pra comida é bom, pra design também, claro tem o design de Milão, a feira e tal porque Milão ainda continua sendo referência não tem como, mas ainda assim tem os artesãos, cerâmica, monumentos, cultura, então pra mim uma boa ideia é a Itália. E eu não quero parecer arrogante de falar Europa, mas eu moro aqui e pra mim é muito mais acessível. Tem belezas naturais além de que você vai pra lá e se sente bem acolhido! Nossa, eles parecem meio brasileiros até!

(nostalgia: Helo e Edu num encontro animado em Paris)
(nostalgia: Helo e Edu num encontro animado em Paris)
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